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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Polícia Federal prende, no Aeroporto de Guarulhos, às vésperas da eleição presidencial, funcionária de ministro venezuelano que levava arma e manuais de guerrilha e terrorismo

PF encontra com babá de ministro chavista agenda que prega ‘derrota permanente do inimigo’

FAUSTOMACEDO
26 Outubro 2014 | 17:33

Jeanette Anza foi presa em flagrante na madrugada de sexta feira, 24, em Cumbica, com revólver 38 na maleta do ministro Elias Jauá

Fausto Macedo
A Polícia Federal apreendeu com Jeanette Del Carmen Anza – babá do filho do ministro chavista Elias Jauá Milano (Relações Exteriores da Venezuela) uma extensa agenda política que fala da “derrota permanente do inimigo” e cartilhas intituladas “Ley Organica das Comunas” e “Ley Organica del Poder Popular”. Um folheto encontrado com Jeanette Anza ensina como “marcar e neutralizar o inimigo” e “como enfrentar crises e conflitos reais”.
A babá foi presa em flagrante na madrugada de sexta feira, 24, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos/Cumbica. Na maleta preta que Jeanette Anza carregava havia um revólver calibre 38, Smith & wesson, com cinco munições. Ela disse que a maleta e a arma pertencem a Jauá.
Jeanette Anza afirmou à PF que o ministro, que já estava em São Paulo, pediu a ela que trouxesse a maleta. Segundo ela, Jauá orientou-a a tirar o revólver da maleta. A babá declarou à PF que “não encontrou a arma”.
Jeanette Anza chegou em São Paulo acompanhada da sogra de Jauá. A mulher do ministro está internada no Hospital Sírio Libanês.
Na maleta, além do revólver, a PF apreendeu documentos de orientação política como um caderno intitulado “Plano de Agenda política do governo revolucionário, o que fazer, quando, onde e como”.
Em outro panfleto, exaltação ao “pensamento Bolívar-Chavez, modelo histórico”, e um capítulo denominado “tarefa pontual: base de missões, novo modelo”.
Em outro documento, dois capítulos dedicados ao “socialismo e capitalismo, a batalha dos modelos” e “objetivos históricos do plano da Pátria”.
Um documento prega “cinco revoluções: econômica, conhecimento, missões socialistas, soberania política e socialismo territorial”.
Com a babá havia também um caderno com citação ao chefe do Comitê Central do Partido Comunista Chinês (1982/1987), Deng Xiaoping – morto em 1997. “Revolução e política de quadros, Deng Xiaoping.”
Um outro caderno trata das eleições legislativas de 2015 na Venezuela, “documento estratégico, estratégia ganhadora”.
Confira o interrogatório de Jeanette Anza:
Doc 1 baba-oj
Confira a cartilha apreendida com a babá:
CARTILHA MIN 1 CARTILHA MIN 2 CARTILHA MIN 3 CARTILHA MIN 4 CARTILHA MIN 5 CARTILHA MIN 6 CARTILHA MIN 7

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Diários de motocicleta da USP

A história é antiga mas vale relembrar - tornou-se um clássico da literatura caricata, desses antológicos.

O fato é que um aluno de filosofia da USP, caricatão, com ligações no SINTUSP, organizou uma excursão ao Forum Social na Venezuela, em 2006. Acontece que o bonitão quis ir de ônibus e calculou a distância e a rota erradas!

A empresa de ônibus até tentou convencer o Che uspiano a utilizar a rota normal, pelo Brasil, mas ele bateu o pé e conseguiu o que queria: uma rota passando por vários países da Am. Latina.

Resultado: chegaram no dia do encerramento, fodidos, sem dinheiro, com caganeira e sem ter como voltar!

O absurdo é que, não sei como, um cargueiro da FAB foi designado para trazê-los de volta (só os alunos progressistas, claro, os motoristas tiveram que voltar pelo Rio Amazonas), assustadinhos e, evidente, bancados pelo orçamento da Aeronáutica!

E a trapalhada não acaba aqui. O tal Werley Torres, o uspiano bolivariano, sumiu do mapa e ficou com parte do dinheiro da excursão!

Resumindo: a empresa capitalista aceitou suas exigências e quebrou seu galho, tomando um grande prejuízo e correndo riscos; quando a coisa apertou eles foram auxiliados com pouso e comida por freiras católicas (que eles tanto detestam) e, no fim, o cara ainda dá balão nos cumpanheiros...

Pois é, gente. Um novo mundo é possível.


Vejam a história completa:


Os spams

A divulgação

Orientações finais

Manchete - Como colocar seu pai numa fria
1/2/2006 13:27:20
(Página 1 de 2)

ESTUDANTE DE FILOSOFIA (PICARETA NAS HORAS VAGAS) QUE FUGIRA DAS AULAS DE GEOGRAFIA E MATEMÁTICA, CALCULOU MAL E DEIXOU 40 PRESOS NA VENEZUELA.


Estava eu e o Tico felizes da vida! Iríamos dar de presente pro meu pai, o Carlão, a viagem ao Fórum Social Mundial. Após procurar, uma vizinha indicara um estudante de filosofia da USP, Werley Torres, que estava organizando uma excursão ao fórum. Fiquei preocupada, a princípio, pois só havia feito contato com o organizador por telefone. E se fosse um picareta? Após o embarque do Carlão e os primeiros contatos telefônicos fiquei aliviada.
Problema: Nas fronteiras, o ônibus fica parado, pedem exigências, etc. Atraso no cronograma.
Problema: Em quito, algum passageiro desavisado toma água (Na América Latina, pedir copo d'água na padaria? Nem pensar - Malditos coliformes & Cia - caganeira, hospedagem num convento, atraso)
Problema: O organizador, talvez tenha calculado errado o tempo - chegada do ônibus no Fórum Social Mundial - no último dia de evento.
Imbecilidade mor: O Sr Werley, néscio de nascença, deve ter fechado o contrato com a empresa de ônibus da seguinte maneira: pegou um mapa mundi, uma régua e um lápis. Traçou linhas de são Paulo até a Venezuela, passando por países da América Latina, multiplicou a metragem, ou "centimetragem" pela escala e..... EUREKA, contratou uma empresa de ônibus por 12 mil km. Porém, em Caracas, já havia dado 10 mil Km.... como fazer com que ônibus faça 2 mil até SP????? Se perguntarem por Sr Werley, ele vai mandar o ônibus ir de ré!!!!
O Valor total da empreitada????? 28 mil, chorando, por que era pra ser 30.
Mas façam as contas: A passagem do Sr Varley e de Sua Namorada, saíram de graça - 42 pessoas ao total - 40 pagantes x 850 reais (valor cobrado pela excursão) = 34000
Olha só..... o que foi feito com os 6 mil que sobrou???????????
Última Notícia: Sr. Werley Torre e sua namorada, Cláudia Santos, fugiram de madrugada, deixando na Venezuela os outros 40 passageiros..... dentre eles, meu pai!!!!
Grande filósofo a Universidade de São Paulo está formando..... filósofo da ação ardilosa, moralmente execrável, filósofo que usa de meios condenáveis para obter vantagem.

Meu pai nunca mais vai aceitar presente meu again.....

(Leandra Fatorelli)


Repercussão

Repercussão II

A HISTÓRIA
(matéria do Estadão)

Diários de uma viagem de ônibus pela América Latina
A aventura dos motoristas que não tiveram o privilégio de serem buscados pela FAB na Venezuela


Quando o ônibus da Arca Turismo chegou à garagem da pequena transportadora em São Bernardo do Campo, na última sexta-feira, após 23 dias na estrada, seus 42 passageiros já desfrutavam do conforto de casa há mais de uma semana. Enquanto os estudantes que contrataram a empresa de fretamento para levá-los à Caracas para o Fórum Social Mundial retornaram ao Brasil em poucas horas de vôo, a bordo de um avião da FAB enviado pelo governo brasileiro para resgatá-los, os três motoristas do veículo não tiveram outra opção para retornar: rodar os mais de cinco mil quilômetros que separam a capital venezuelana da cidade do ABC paulista.

A aventura do grupo ficou conhecida por causa da trapalhada do responsável pelo planejamento da viagem, o estudante de filosofia José Werley Torres, que exigiu da empresa que o ônibus cruzasse Bolívia, Peru, Equador e Colômbia antes de chegar à Venezuela. Ele acreditava que fazendo esse trajeto o grupo chegaria a Caracas cinco dias depois da saída de São Bernardo, no dia 19 de janeiro. Segundo os cálculos do estudante, eles estariam na capital venezuelana para a cerimônia de abertura do Fórum, marcada para o dia 24. Chegaram a tempo de ver apenas o encerramento do evento, dez dias depois do embarque.

Por causa do desgaste dos passageiros com a estafante viagem de ida e o fim do dinheiro da maioria deles para ser usado na volta, uma operação foi montada pela embaixada brasileira para repatriar o grupo. Os motoristas, no entanto, ficaram de fora. Apesar de se tratar de uma aeronave de carga, o Hércules C-130 enviado pela Força Aérea Brasileira não estava preparado para acomodar o Scania branco da empresa de turismo. Depois de alguns dias à espera da resposta do governo brasileiro ao pedido de repatriação, Miguel Serrano, de 69 anos, Alexssandro Oliveira, 31, e Anderson Delabarba, 34, iniciaram a viagem de volta, conduzindo um ônibus vazio e perseguidos por um prejuízo de R$ 12 mil.

Após o desgastante percurso de ida, os três motoristas não tiveram dúvidas em optar pelo caminho que desde o início recomendaram a Torres. Saíram de Caracas em direção a Manaus, um percurso de cerca de 2 mil quilômetros que tomou dois dias inteiros de viagem. A demora, lembram os motoristas, deveu-se principalmente ao trecho entre Boa Vista e a capital do estado do Amazonas, região de reservas indígenas onde não faltam estradas esburacadas e regras de conduta impostas aos viajantes pelos nativos. Há um trecho de 150 quilômetros entre as duas capitais, por exemplo, onde não se podia parar nem tirar fotos.

De Manaus, embarcaram em uma balsa em direção a Belém, de onde seguiriam, via Brasília, para São Paulo.

O fato de terem sido "abandonados" pelo governo brasileiro parece não ter gerado ressentimento nos três, que ainda tiveram que agüentar mais cinco dias e seis noites enclausurados na embarcação, e mais dois dias de estrada até São Bernardo.


Diários de Motocicleta e Central do Brasil

Motorista há mais de 30 anos e dono da Arca Turismo, Seu Miguel não se conforma com a teimosia de Torres, que queria porque queria fazer o percurso pelos países sul-americanos. "Não sei se ele queria chegar ao Fórum ou fazer turismo pela América Latina", disse Doroty Serrano, filha de Seu Miguel que trabalha na administração da empresa de transportes. Segundo o motorista de 69 anos, durante toda a negociação da viagem, ele tentou convencer o estudante de que era mais seguro ir pelo Brasil. Nesse caso, a única dificuldade que enfrentariam seria chegar a Manaus, cidade acessível apenas por vias fluviais. Para resolver o problema, teriam que embarcar em uma balsa em Belém e viajar por cerca de cinco dias por rios da Floresta Amazônica. Mas não adiantou. Torres, que jurava ter checado todas as distâncias, insistiu no percurso, que parecia inspirado na viagem de Che Guevara retratada pelo filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles. Para ele, não compensaria perder os cinco dias no roteiro à lá Central do Brasil proposto por Seu Miguel.

"Ele dizia que tinha conhecimento do trajeto, mas não tinha conhecimento nenhum", disse Seu Miguel, que fez Torres assinar um documento se responsabilizando pela decisão de seguir pelos países vizinhos. "No Brasil, nenhuma empresa de turismo tinha feito essa viagem. Não tinha de onde tirar a quilometragem certa", acrescentou.

E foram os contratempos não previstos no "planejamento" de Torres que levaram à demora interminável. Na Bolívia, por exemplo, sacolejaram por 450 quilômetros em uma estrada de terra durante 24 horas. Ao chegar novamente em um trecho de asfalto, Alexssandro não agüentou: desceu do ônibus e correu para se ajoelhar sobre o calçamento. Já na Colômbia, foram impedidos pelo exército de viajar durante a noite devido aos riscos de seqüestros realizados pelas guerrilhas que dominam as selvas do país. Isso sem falar no frio que passaram ao cruzar os Andes. Até folha de coca tiveram que mascar para agüentar as altitudes de mais de 4 mil metros. Para piorar, ainda no Peru receberam a notícia da morte de quatro estudantes mineiros após um acidente com um ônibus brasileiro que fazia o mesmo trajeto.

"Nós ficamos sabendo do acidente na estrada. Eu e o Alex ficamos muito tristes com a notícia", lembra Anderson. Ele conta que o ônibus mineiro, que fazia o mesmo percurso do grupo paulista, sofreu o acidente na região de Arequipa, na Cordilheira dos Andes. "Naquela região é comum você pegar uma camada fina de gelo no asfalto, o que dificulta muito controlar o veículo", continua Anderson. Os sobreviventes do acidente da excursão mineira foram trazidos de volta ao Brasil pelo mesmo avião da FAB que dias depois também buscaria o grupo que chegou à Venezuela.


Cinco dias numa prisão flutuante

Embora presumisse que muitas dificuldades poderiam aparecer durante o percurso, Seu Miguel admite, no entanto, que quando já não havia mais volta, ficou curioso para conhecer o percurso. Alexssandro, um dos motoristas que o acompanhou, provoca, gargalhando: "Foi embarcar na aventura dos ´doidos´ e depois queria desistir". Passada a brincadeira, ele acrescenta: "Em algumas situações, se pudéssemos, teríamos abandonado a ´carga´ e desistido".

Mas Seu Miguel jura que não se arrepende de ter optado por participar da viagem. A única situação da qual reclamou durante toda a conversa que teve com o Portal Estadão.com.br foi os cinco dias e seis noites claustrofóbicas passadas a bordo da balsa que faz o trajeto Manaus-Belém, já na volta a São Bernardo do Campo. A embarcação, que cobra mais de R$ 1,5 mil por veículo, costuma levar cerca de 70 carretas e se desloca a uma média de 15 Km/h, não faz paradas ao longo da viagem. "Aquilo é uma prisão", desabafa Seu Miguel. Ele conta que além da falta do que fazer, uma outra marca da viagem é a péssima comida servida aos passageiros.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A fazenda seqüestrada

Joia do século 19, propriedade de um diplomata no interior da Venezuela é desapropriada por Hugo Chávez.
do Estadão, suplemento Casa, 13/06/2010
por Maria Ignez Barbosa
A bela fazenda La Carolina, situada em uma antiga plantação de cana-de-açúcar do século 19, no Estado de Yaracuy, em plenas montanhas andinas da Venezuela, acaba de ser desapropriada pelo presidente Hugo Chávez. Comprada em 1989 por US$ 300 mil e reconstruída pelo diplomata Diego Arria, essa propriedade de 370 hectares já foi cantada nas páginas da Architectural Digest e consta do livro que reúne trabalhos do conhecido decorador colombiano Juan Montoya, editado pela Villegas Editores.
No grande salão, dois ambientes divididos pelo divã de ferro e a bela coleção de cerâmicas pré-colombianas


Alegando irregularidades no registro de propriedade, apesar de a fazenda ser produtiva (já foi premiada por ser modelo de sustentabilidade e de preservação ambiental, com plantação orgânica de café), nada deteve Hugo Chávez. Irritado com Arria, que, em recente Fórum Mundial pela Liberdade, em Oslo, o comparou aos piores ditadores da história, o presidente declarou em seu programa de TV, em rede nacional, que a fazenda do diplomata, que ele chama de "velho oligarca e ladrão", se parece com a do seriado americano Falcon Crest. Aproveitou para exibir ao país cenas de crianças brincando na piscina da "terra liberada" - que podem ser vistas no link http://www.youtube.com/watch?v=1T6whBpCv2w - e, com ironia, acrescentou que mandou benzer a água antes da farra. Mandou também um recado para o proprietário: "Para ter suas terras de volta, você terá, antes, de me enterrar. A fazenda pertence agora à revolução", exclamou, entre mais insultos à burguesia e à legalidade.

Na sala do café da manhã, contígua à cozinha, o chão de cerâmica em forma de oito
Diego Arria, que há 17 anos mora em Nova York, já foi prefeito de Caracas, congressista, ministro de estado, candidato à presidência em 1978, representante de seu país nas Nações Unidas e depois secretário-geral assistente da organização, além de presidente do Conselho de Segurança onde instaurou a "fórmula Arrias", um modo de flexibilizar e tornar mais informal a consulta entre os países-membros, não ficou calado. Qualificou a ação de Chávez como vingança política e lamentou que, por demagogia e propaganda pessoal, o presidente venezuelano esteja estimulando crianças a saquear e roubar a propriedade alheia. Contou que dez funcionários armados, depois de subjugar o responsável pela fazenda, se dirigiram ao quarto principal, onde um deles atirou-se na cama e pôs-se a comentar, em termos chulos, o que Chávez poderia fazer ali. Em outra ocasião, diante de um advogado, um dos capangas sacou da pistola e ameaçou o profissional dizendo que lhe sobravam balas.

Arria afirmou também que o "tenente coronel" não precisava tê-lo desafiado a enterrá-lo. "Dou-lhe de presente minha fazenda para que ele ali se aposente. Mas somente depois de devolver a paz e a Venezuela aos venezuelanos. Não tenho dúvidas de que Chávez, em breve, será um prontuário ambulante para as cortes internacionais de justiça."
Restauração
A fazenda La Carolina, que viveu seu apogeu na segunda metade do século 19, período da cana e do café, se deteriorou a partir do momento em que o petróleo foi descoberto no país, em 1920. Quando adquirida pelo diplomata, em 1987, apenas duas estruturas destelhadas e um pátio com chão de lajotas rústicas próprias para a secagem do café existiam no terreno. A ideia de Juan Montoya e do arquiteto venezuelano Nelson Douiahi foi, além de restaurar as duas ruínas, construir quatro unidades em volta de um grande pátio, com capela, estábulo, salas de estar, armazém, ala da família e de hóspedes, de modo a criar um conjunto que parecesse uma vila de interior no mesmo estilo despojado do passado.
Na simplicidade da varanda, o colorido era dado pelas redes

Onde era antes um galpão para armazenar cana, foi criada a suíte principal. No começo da reforma, desconfiados da ideia de ter o quarto num local de pé-direito tão alto, os Arrias se deixaram convencer por Montoya, conhecido por seu dom de dar novo sentido a espaços inicialmente destinados a outras funções.

O que se quis, ao preservar os traços do passado, foi basicamente manter a rusticidade da fazenda. Os tetos são forrados ou com ripas de madeira ou com varas de bambu. Vigas de madeira sustentam a construção e servem de terminação no alto das portas internas. Os apliques de luz arredondados, que mais parecem fazer parte da parede, iluminam com discrição e sem destoar da estrutura. As lindas e originais lajotas de barro em forma de um oito que se encaixam no chão de modo pouco usual foram reproduzidas a partir de algumas antigas encontradas no local.

Na decoração, onde a maioria dos tapetes é de sisal, belas urnas de terracota pré-colombiana compõem uma valiosa coleção. Eram expostas sobre um degrau de alvenaria formando um grande L ao longo da parte inferior das paredes do extenso salão onde dois enormes ventiladores pendem do teto alto. Apenas um divã de ferro na transversal separava o ambiente de ler e relaxar daquele de se tocar e ouvir música. E havia belos móveis e objetos, ou antigos, ou então reproduzidos por artesãos locais, para enriquecer e aportar qualidade a esse ambiente isento de maior luxo ou pretensão. Havia assim, a escrivaninha do século 19, que servia de base para as garrafas antigas de cristal, os espelhos mexicanos sobre as pias, as mesas vestidas com antigas toalhas brancas bordadas e a coleção de porcelana azul e branca que enfeitava e trazia alegria à sala do café da manhã. Nos vasos, sempre flores colhidas no campo. Penduradas, gaiolas coloridas decoravam o ambiente. Nas varandas que rodeiam a casa, muitas redes em cores vivas mas tecidas de forma bem diferente das nossas nordestinas.
Escultura de um apóstolo do século 18 e fragmento antigo de altar davam as boas-vindas na entrada da fazenda 05 Garrafas de cristal sobre escrivaninha do século 19
Homenagem à filha morta
Arria tem três filhas que ali cresceram. Uma quarta, que morreu cedo e se chamava Carolina, deu nome à fazenda e à pequena capela, com imagens que a família espera não terem sido também roubadas. Sabe-se que as roupas, os quadros, o mobiliário, as fotos e as lembranças dos Arrias já se foram, assim como quatro cavalos. Consta que as vacas e os cavalos de montaria estariam sendo doados como se a ninguém pertencessem.

Será de muito lamentar o desaparecimento ou a destruição de uma figura religiosa colombiana de um apóstolo do século 18 e de um fragmento de altar dourado do período colonial, quase beirando o teto, que enriqueciam um décor agora ameaçado de extinção pela ira de Hugo Chávez e que tem o sabor amargo da tão retrógrada revolução cultural chinesa.