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terça-feira, 4 de maio de 2010

Meninas faceis

Folha de São Paulo. 03/05/2010

LUIZ FELIPE PONDÉ



E AÍ, leitor de 15 anos? Diga-me cá uma coisa: é verdade que as meninas hoje transam muito? Quantas já deram em cima de você, fazendo você se sentir um frouxo se "não comparecer" quando ela quiser?
Atenção terapeutas de plantão: não me venham dizer que as meninas hoje em dia "evoluíram" e que querem meninos sensíveis, porque, para elas, meninos sensíveis só são bons para tirar sarro. E que fiquem fora da cama delas. Ou seria fora do carro delas? E aí, leitora de 40 anos, você acha esse papo muito vulgar?
Sinto muito, as meninas "evoluíram" e agora são senhoras dos seus desejos e isso basicamente quer dizer: são fáceis. Quer saber? Acho uma hipocrisia ficar lamentando que as meninas estejam transando por aí. Todo esse estardalhaço com relação "as pulseiras do sexo" é puro blá-blá-blá. Se as meninas estão transando por aí, é porque dissemos a elas que isso é legal, não?
Vejamos. Mas, antes, um reparo.
Repito o que já disse: não acredito que se faça melhor sexo hoje em dia, acho sim que hoje existe muito marketing, muito papo furado, muita mulher sozinha que se veste pra si mesma num ritual macabro de vaidade e... muita gente brocha.
A chamada "revolução do desejo" serve para ganhar dinheiro com publicidade, livros de sexo chique e para aumentar a sensação, em seres humanos reais, de que todo mundo está transando menos você.
Mães de 50 anos se deliciam em vender a imagem de si mesmas como máquinas de sexo. Na realidade, no silêncio de seu quarto escuro, são umas invejosas, que queriam ser como suas filhas: mulheres fáceis.

Professoras inseguras com seus corpos cansados, atônitas com a inutilidade última de toda sua inteligência diante da chacina que é a vida cotidiana, invejam as suas alunas deliciosas que desfilam pernas e seios por aí, dançando a dança do acasalamento. Sim, deveriam tê-las avisado que a vida se repete exatamente naquilo em que ela é miserável: medo, inveja, baixa autoestima e abandono.
Cursos chiques trabalham o corpo para que ele seja fácil de manipular na cama, no carro, no banheiro.
Teorias psicológicas e filosóficas empacotam a vontade de ser fácil em papel de presente fingindo que existe mesmo uma coisa chamada "sexo revolucionário". E aí, quando os padres fazem sexo com meninos, os revolucionários de meia pataca põem o rabo entre as pernas e se escondem porque não têm coragem de enfrentar o horror do sexo "livre".
Não existe sexo livre, existe apenas sexo sem amor.
Comédias de TV idealizam mulheres urbanas que transam assim como quem corre em esteiras aeróbicas (ou seriam "anaeróbicas"?), calculando o "tamanho" de seus homens, se gabando, assim como homens boçais, da quantidade de vezes que gozam.
Músicas nas festas das escolas e nos aniversários de crianças cantam a banalidade dos gestos sexuais, fixando os olhos vazados das meninas no desejo de crescer o bastante para serem fáceis. Programas infantis ensinam a vulgaridade como forma de liberdade corporal na frente das câmeras. Programas "teens" de TV elevam ao grau de guru quem transa aos dez anos, contanto que use camisinha. Pedagogas, sob o signo de preparar para a vida, barateiam os corpos das meninas ensinando sexo fácil como se fosse sexo seguro.
Salvem as baleias, as focas, o verde, o planeta, os "baby monkeys", mas transem fácil.

A forma como o aborto é tratado (todo mundo é a favor, menos os "tolinhos") é prova de como o sexo e as meninas são artigo vendido às dúzias nas feiras de periferia. É isso aí: mulher fácil é mulher barata. Tem mais mulher do que homem no mundo (não estou seguro dessa informação, mas todo mundo diz que sim, principalmente as mulheres solitárias) e, com a liberação delas, o preço ainda caiu mais. A melhor coisa que existe para um cara que quer uma mulher barata é que ela pague suas contas.
Alguém precisa parar de mentir e avisar para essas meninas que a vida é uma chacina cotidiana. Que o envelhecimento chega sem que você espere, que o mundo fica repetitivo com o tempo, que as pessoas ficam previsíveis e que sexo fácil é sempre sexo sem amor. Avisem a elas que o amor é raro, difícil, caro, duro de encontrar, morre fácil, porque é sempre mal-adaptado num ambiente mais afeito a baratas do que a seres humanos.
Enfim, que uma das lutas contínuas da civilização é contra a indiferença porque homens e mulheres não são especiais e existem às dúzias por aí, a gargalhadas, como bonecos de cera sem graça.

Incestofobia é crime?


Pearl Carter, de 72 anos, namora Phil Baile, de 26. Até aí mais um caso de namorados com grande diferença de idade, né? Não. A diferença grande aí reside no fato de Pearl ser avó de Phil!

Os dois estão juntos e estão usando uma barriga de aluguel para ter um filho. A inseminação custará o equivalente a cerca de 97 mil reais. A mãe de aluguel se chama Roxane, de 30 anos, que diz ter ficado fascinada com a história do casal - que corre risco de prisão por incesto.

A americana, que vive em Indiana conheceu o neto quando tinha 64 anos. Phil é filho de Lynette Bailey, que Pearl deixara para adoção quando tinha 18 anos. Lynette criou o filho como mãe solteira.

Quando tomou conhecimento da morte da filha, vítima de câncer no cérebro quando Phil tinha 18 anos, a avó foi atrás do neto.

Ao achá-lo, ela passou a desenvolver uma estranha relação com Phil.

"Quando ele me mandou uma foto por email, pensei que homem bonito e sexy ele é, antes de me beliscar: ele era o meu neto!"

Quando se viram pela primeira vez, foi amor à primeira vista. Pearl contou que o momento a fez se sentir sexualmente ativa após muitos anos.

"Estou apaixonada por Phil e ele por mim. Logo teremos uma criança e estou certa de que Phil será um excelente pai", afirmou a idosa à revista "New Idea".

Phil dá de ombros quando perguntado sobre a inusitada relação:

"Sempre fui atraído por mulheres mais velhas."

(Daqui)



As discussões em relação a essa história grotesca têm que ser direcionadas à dissolução da família e à dissolução dos valores morais.

É um fenômeno atualíssimo, que vem tomando forma desde os anos 60 e, por isso mesmo, torna-se difícil de analisar, devido à falta de perspectiva histórica, de distanciamento. Tem relação com a NOM e, conseqüentemente, com a Mentalidade Revolucionária.

Imaginem-se desde a infância, vivendo sem uma estrutura familiar, sem limites, educados por livros como "Mamãe, como eu nasci?", que tratam da "gostosura do corpo" ou "Menino brinca de boneca?", bombardeados incessantemente com assuntos como a "homofobia", preconceito, diversidade, relativismo, etc.

Certamente esse "casal" é fruto do meio, desconsiderando possíveis tendências individuais maléficas.

E como esse casal (argh) é fruto do meio, estamos, no Brasil, criando exatamente esse mesmo tipo de pessoas sem freio moral, perigosamente hedonistas e alienados. Toda uma geração fruto do "país do carnaval" que será (ou já é) pior do que os americanos amorais.

Quando vemos S. Agostinho se lamentando por ter apreciado mais a melodia de uma canção do que a letra e pedindo perdão a Deus por isso, percebemos o imenso e infinito abismo que nos encontramos atualmente.

Um casal que descobre laços familiares depois do fato consumado é um drama clássico. Avó e neto que conscientemente mantém relações sexuais é uma história de terror.

Bem-vindos à longa sexta-feira 13 da Nova Ordem Mundial.