quinta-feira, 12 de junho de 2008

Os fiscais das ondas


Com o advento da comunicação digital, informações binárias via cabos de fibra ótica e satélites, viajando numa velocidade cada dia maior, e da própria possibilidade de se armazenar uma infinidade de dados em um espaço físico ínfimo, a questão dos direitos autorais merece uma abordagem diferente.

Lembro da surpresa que tive ao ver, certo dia num folheto do ECAD a informação que, pelas leis brasileiras, qualquer difusão pública de som é passível de arrecadação de direitos autorais.

Isto é, aquele carinha que abre o porta-malas do carro e põe um pagodão nas alturas deveria pagar direitos autorais! Relevando-se o péssimo gosto, nem tanto pelo pagode mas pelo som alto, o rapaz estaria cometendo um crime! E depois ainda perguntam o porquê de algumas leis aqui não "pegarem".

É o momento de questionarmos se as ondas sonoras - para uso privado - seriam passíveis de cobrança. Se as cores, comprimentos de ondas no espectro eletromagnético, são passíveis de cobrança. Se as formas, falas ou determinadas situações também o são.

Digo "passíveis de cobrança" porque não questiono a autoria ou, se preferirem, a propriedade da obra. Ressalto apenas que temos que repensar de maneira pragmática o que é viável e o que vale a pena se cobrar.

As vibrações de ondas, medidas em Hertz ou nanômetros, não são produtos, portanto, não são passíveis de cobrança, se quem os usufrui o faz por motivações individuais e privadas. Poderão ser cobradas apenas se a pessoa as usa para promover algum evento que proporcione considerável retorno financeiro.

Para o público em geral, o produto é o disco, CD, DVD, com apresentação planejada, informações, bem editado, durável. Esse é o produto e não as ondas que emanam dele. E prestação de serviço é o show, o concerto, onde o artista se faz presente e daí resulta o grande diferencial.

Mídias graváveis são descartáveis, duram pouco. O sistema de transmissão de dados ainda exige compressão, o que causa perda de qualidade; a pessoa fica com um disco solto, sem encarte, sem informação e com material de menor qualidade e duração.

E mesmo com toda a possível tecnologia futura, nunca um consumidor terá recursos comparáveis às empresas gravadoras e editoras, que sempre poderão disponibilizar um produto de maior qualidade e por preços mais baixos.

A verdade é que acabou a mamata. Não tem mais essa do cara lançar um disco a cada dois anos, vender milhões e ficar coçando o saco o resto do tempo.

Agora o músico vai ter que se apresentar ao vivo e ter lucro com isso. Instrumentistas, arranjadores, regentes, técnicos, seguranças, produtores, empresas e espaços serão contratados. Isso gerará empregos e riqueza, considerando o fácil acesso à tecnologia para se produzir.

Isso destruirá o monopólio de meia dúzia de majors (Sony BMG, Universal, Warner e EMI, que controlam há décadas mais de 80% do mercado) e fará com que a preferência do público se sobressaia às jogadas de marketing que criam ídolos à revelia.

Num contexto desse, qual artista vai optar por não ser ouvido e conhecido espontaneamente? Quem será o louco a processar seu próprios consumidores que baixam na internet suas músicas mas (e justamente por isso) conhecem toda sua obra, compram os discos, os divulgam e vão aos shows?

Radiohead, Lobão, entre outros tantos já propuseram saídas. Outras propostas virão. A questão é: deixemos de chororô e façamos shows! Vamos gravar nas indies, nas majors, tanto faz. Vamos vender em lojas, nas bancas de jornal, nos shows, vamos gerar empregos e riqueza, vamos ensinar, trabalhar!

Quando eu tiver 40 anos de estrada e perceber que minha discografia está entre os maiores downloads da internet, ficarei extremamente grato e honrado por isso.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sobre a bondade humana

Este texto é sobre a bondade humana, ou melhor, é sobre a tal da “insensibilidade humana”. Aquela história do capitalista malvado, de como as pessoas são insensíveis, cruéis, egoístas...

Acho que a maioria das pessoas dispostas a uma discussão política é bem intencionada, quer o bem para as pessoas e para si. Se interagimos com o próximo, como vamos desejar que o próximo seja miserável, faminto, sem educação e base moral? Qual a vantagem do “capitalista” malvado não ter ninguém para negociar, para realizar trocas voluntárias e assim, saírem ambos ganhando?

Acredito mesmo que a maioria das pessoas não é cruel e desalmada como o padrão lugar-comum “capitalista gordão e sua risada maléfica”. As pessoas podem até divergir, mas na maneira como realizar, nos meios, não nos fins. A pessoa pode lavar roupa, investir na bolsa ou catar lixo, isso não impede que a fome alheia não lhe toque na alma.

E mesmo que haja um capitalista gordão charuteiro e desalmado, que só “especule”, invista na bolsa, viva de renda, no contexto econômico não importa se ele é egoísta e ganancioso, ele vai gerar empregos, renda, impostos, consumirá, contratará serviços e produtos, mesmo sem querer, mesmo que deseje, ao contrário, o pior a seus semelhantes, o que seria para ele um suicídio. Ninguém vive sozinho.

Certo que há os sociopatas e não são poucos. Aqueles cuja sede de poder alcançam níveis doentios, como Mao, Stalin, Hitler, Castro, etc. Mesmo aquele internauta com camisa do Che, sozinho no quarto, pensando em como conquistar poder dentro do DCE, do DA, da UNE, da ubes ou qualquer outra sigla. Geralmente esses escolhem as vias políticas.

Mas aí a tese de que as pessoas são mesquinhas e egoístas vai por água abaixo. Temos ignorantes, doutrinados, alienados, fanáticos, niilistas e racistas assim como há pessoas de bem e há gente que não cheira nem fede.

Se num universo pequeno de pessoas essas diferenças são complexas, imagine como não são num país, no mundo? Esse conceito da mesquinhez humana também não pode ser extendido. Como odiar a todo um povo? Como o anti-americanismo pode ser aceitável no Brasil? Como justificar isso como uma idéia razoável? É o mesmo que renegar Dostoievski, Stravinsky, Diaghilev, é o mesmo que odiar o chinês que sofre a cada dia as agruras de um sistema nefasto.

Que Deus abençoe as pessoas que um dia vibraram no 11 de setembro, mesmo as pessoas que riem da tal “ignorância do americano médio”, ou que demonizam a “classe média”, para que estas possam perceber a injustiça que estão cometendo. Pois quem enxerga as injustiças é abençoado.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sobre educação e capitalismo

Quando dizemos "capitalismo" queremos expressar a organização entre as pessoas, que oferecem serviços e produtos umas às outras de modo a "levar alguma vantagem" e, conseqüentemente, oferecer uma contribuição ao mundo.
Qualquer um quer e precisa "ter lucro", pois é assim que geramos riqueza, que é algo que se cria, não se distribui. Não é porque um tem menos que outro tem mais.
Qual a vantagem de os EUA ficarem riquíssimos e cercados por países miseráveis prontos a qualquer loucura para ter parte dessa riqueza? Com quem eles iriam negociar, a quem eles iriam vender? Qual a vantagem de eu ser rico cercado por uma horda de vizinhos famintos?
Da mesma maneira que seria melhor para mim que meus vizinhos tivessem boas condições de vida, o capitalismo vive da riqueza, não da pobreza. São trocas voluntárias onde cada um troca algo que lhe é de menor valor por algo de maior valor. O dinheiro, para o verdureiro, tem maior valor que o tomate que ele vende. Para a dona-de-casa é o contrário, ela prefere naquele momento os tomates que o dinheiro que eles valem.

E o conceito de riqueza aqui extende-se pelo imaterial: pela cultura, educação e pelo conhecimento.
Uma escola privada nada mais é que profissionais, pessoas como eu e você, que oferecem seu trabalho da melhor maneira possível para obter algum tipo de lucro.
Essa escola irá aplicar os métodos e as instalações que lhes forem possíveis e convenientes para satisfazer, não suas próprias vontades, mas as vontades de seus clientes (alunos).
O monopólio da educação nas mãos do estado gera burocracia, ineficiência, desvio de recursos, má qualidade de ensino, doutrinação política...

Sem contar que "direito", no Brasil, é algo imposto. Todos têm "direito" à educação - se alguém não concordar com o que é ensinado numa escola pública vai preso se educar o filho em casa. Todos têm direito ao voto - se você não votar, não tira mais documento algum. E por aí vai.

Um governo não poderia nem conseguiria implantar a privatização de todas as universidades públicas por decreto, numa canetada. A pressão seria imensa.
Teria que haver uma situação de crescimento econômico, redução da carga tributária, da burocracia, poupança, etc, para daí então sugerir a discussão, baseado em debates, discussões e informação.

Temos que argumentar com elegância mas também enfiar goela abaixo do brasileiro a mentalidade empreendedora, deixar de lado o pensamento de se esperar tudo do estado.
There's no free lunch!"

quinta-feira, 13 de março de 2008

Governo terrorista

Mario Kozel Filho, 18 anos. Cumpria o serviço militar obrigatório quando foi morto em 1968, num atentado assumido pelo grupo do guerrilheiro comunista Carlos Lamarca, ex-capitão, desertor do Exército Brasileiro, que visava suplantar o estado de direito no Brasil por uma ditadura comunista nos moldes soviéticos.

Orlando Lovecchio Filho perdeu uma perna há 40 anos, em março de 1968, aos 20 anos de idade. Uma explosão provocada em frente à embaixada americana de São Paulo, por onde ele passava casualmente, arrancou-lhe o sonho de ser piloto. A bomba foi colocada por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Não bastasse o sonho de ser piloto arruinado, foi preso injustamente, investigado como suspeito de terrorismo.

Os pais do soldado Kozel Filho vivem com uma parca aposentadoria por trabalho e descobriram, há pouco tempo, que têm direito a uma pensão de cerca de 1000 reais retroativa desde 2003.
Em 13 de junho de 2007 a família de Carlos Lamarca, que recebe auxílio do governo há mais de dez anos, foi contemplada com uma pensão mensal mais elevada, de cerca de R$ 12 mil, equivalente ao salário de um general. Além disso, a viúva e os dois filhos receberão indenização de R$ 100 mil cada um, paga em parcela única - total de R$ 300 mil.

Orlando Lovecchio Filho conquistou, somente em 2004, o direito de receber 500 reais por mês.

Carlos Marighela foi membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro e foi o fundador e principal dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), principal organização de luta armada atuante no Brasil no final dos anos 60 e início dos anos 70. Mariguela possui um extenso histórico de assassinatos, justiçamentos, sequestros, roubos, espionagem e alta traição.

Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, terá direito a uma pensão vitalícia de R$ 2.520. Nancy Mangabeira Unger, irmã do ministro Roberto Mangabeira Unger, foi outra beneficiada com uma indenização em parcela única de R$ 100 mil.

Estrella Dalva Bohadana Bursztyn, Halue Yamaguti de Melo e Beatriz Arruda também receberam indenização de R$ 100 mil, em parcela única. Assim como Clara Charf, Ana Wilma Oliveira Moraes ganhou o direito de receber uma pensão vitalícia no valor de R$ 2 mil, além de R$ 282 mil em atrasados.


Estes são os mais recentes exemplos dos mais de 5000 processos que estão em andamento para os terroristas do desgoverno Lula receberem indenizações por terem tentado implantar no Brasil um sistema ditatorial falido.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Mais do mesmo

As ligações entre Lula da Silva e as FARC não são "óbvias", não estão nas entrelinhas. O fato é confesso, explícito através do vídeo do III Congresso do PT, onde a apresentadora diz que o Foro de São Paulo é um espaço de articulação continental, responsável delo advento de Chávez, Morales, Correa, entre outros.O Foro de São Paulo foi criado por Lula da Sila e Fidel Castro para, segundo eles mesmos, "reconstruir na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu".
(v. 3o Congresso do PT em http://www.youtube.com/watch?v=VNPjm0qfByc e "Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no encerramento do Encontro de Governadores da Frente Norte do Mercosul" em http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr464-2@.doc)

"Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política. "
(cit. em "Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no ato político de celebração aos 15 anos do Foro de São Paulo" em http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc)

Ver ainda Comissão Internacional das Farc, “Saudação à Mesa Diretora do Foro de São Paulo, 16 de janeiro de 2007”, significativamente já retirado do ar, mas recuperável em http://web.archive.org/web/20070310215800/www.farcep.org/?node%3e2,2513,1 ) que diz:

"Es en ese preciso momento que el PT lanza la formidable propuesta de crear el Foro de Sao Paulo, trinchera donde nos pudiéramos encontrar los revolucionarios de diferentes tendencias, de diferentes manifestaciones de lucha y de partidos en el gobierno, concretamente el caso cubano. Esa iniciativa, que encontró rápida acogida, fue una tabla de salvación y una esperanza de que todo no estaba perdido."(...)"Es en el marco de este escenario político que se ha desarrollado y se sigue desarrollando el Foro de Sao Paulo. De un partido en el gobierno que inicialmente hacía parte del Foro, el Partido Comunista Cubano, hoy son ocho las fuerzas gobernantes que, además de ser fuerzas en el gobierno, fueron fundadoras de éste importante movimiento."
Comisión InternacionalFuerzas Armada Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo, FARC-EPMontañas de Colombia, enero 7 de 2007”.

O rei está nu.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Homeschooling

Educação estatal é crime, nada além disso.
E esse papo de que a escola é necessária para a "socialização" da criança é balela das grossas. Tem que coisa melhor do que um criança conviver com aquelas pessoas que a amam: seus avós, tios, primos, padrinhos etc? Não sei quanto a vocês, mas minha experiência de escola e colégio é a de um ambiente pesado, até certo ponto violento, grosseiro e hostil.
Acho que entendo o que os "pedagogos" querem dizer com "socialização": é perder a inocência e transformar-se, o quanto antes, num bruto.
Fernando
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15916661321513856142

Essa questão seria resolvida facilmente se os pais tivessem o pátrio poder (direito natural) sobre os filhos. Se um pai acha viável mandar seu filho para a escola manda e ele obedece. Se quiser ensinar em casa, que faça. Se ele chegar a conclusão que o filho deve ser ensinado ganhar o pão com o suor do lombo desde cedo, que se respeite. Como todo os pais sabem o que é melhor para os filhos a decisão no geral vai ser a mais correta. Mas o que temos é o Estado todo poderoso controlando tudo.
ßëñðë®
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=264577546470496840

A razão assiste a Fernando: bem consideradas as coisas, esta tal "socialização" que tanto se prega não vem a dar senão no embrutecimento das crianças, cuja educação escolar, feita distante do olhar paterno, redunda já em doutrinamento grosseiro, já em aleijamento moral. Como quer que seja, não admira que os esquerdistas, esses animais gregários, a louvem tanto, e a defendam, pois sabem que do contrário seriam tolhidos de uma oportunidade imensamente propícia de exercer sua tirania.
Henrique
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=17635331552248516469

em
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=2529229820291218256&na=3&nst=11&nid=44668-2529229820291218256-2588045463191973735

Um sopro de esperança

Essa família é guerreira. São Heróis e seu caso tem que ser denunciado. Essa porcaria, esse lixo de imposição estatal, esse governo criminoso. Repito: ESSE GOVERNO CRIMINOSO! Esse cretino patético do Lula, esse bandido do Zé Dirceu, essa assassina da Dilma Roussef, essa corja tem que apodrecer na CADEIA!

Abaixo, a matéria completa.


Pais podem perder guarda de filhos por educá-los em casa
http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=71441&CNL=1
em 10/03/2008 às 2150hs.


Dois adolescentes educados em casa, e não na escola, passaram no vestibular. Mas os pais podem perder a guarda dos filhos.

A criançada sai da aula. Uniformizada e com mochila nas costas. Mas Jonatan e David há dois anos não freqüentam mais uma escola tradicional. Por decisão dos pais. A idéia foi do pai, um designer gráfico, que conheceu o método chamado homeschooling, ou escola em casa nos Estados Unidos, mas que também é comum na Austrália, Canadá, México e Japão. A mãe largou a faculdade de arquitetura para acompanhar de perto os meninos. Eles aprendem matemática, português, inglês, informática e até hebraico.

Por romper com os padrões tradicionais de ensino, os pais foram denunciados pelo conselho tutelar e respondem a dois processos: um criminal e outro cível, por abandono intelectual e por descumprimento de manter os filhos na escola com base no estatuto da criança e do adolescente. Condenados a perder a guarda dos filhos, os pais recorreram da decisão. E para provar que estudam, os filhos prestaram vestibular neste ano para direito. E passaram. David, com apenas 13 anos, ficou em sétimo lugar e Jonatan, de 14, em décimo - terceiro.

A polêmica sobre a educação dos garotos continua na justiça. Com uma condenação definitiva, os pais serão obrigados a matricular os dois numa escola ou perdem a guarda dos filhos e ainda podem ser condenados a um mês de prisão.

Epitáfio

Mais de 19.000 carteiras de motorista falsas, compradas, só em São Paulo. Funcionários de aeroportos furtando objetos pessoais de passageiros. Apenas dois casos recentes.
Corrupção, banditismo, ignorância, doutrinação, lavagem cerebral; tudo isso incorporado, arraigado em todos os setores da sociedade brasileira.
O Brasil que conhecíamos morreu. A possibilidade de se estruturar os valores civilizacionais de 2000 anos de história, absorvidos e transmitidos para a Humanidade a partir de um contexto brasileiro morreu junto.
O que restou foi a escória intelectual, o farrapo moral, a dissimulação ilógica travestida de belas palavras. Restou um pitoresco transe coletivo que não terá fim nesta, na próxima ou na outra geração. Sobrou o "Big Brother" de Orwell, o delírio coletivista, a apologia à miséria humana e, tristemente, o patético culto fanático ao deus-Estado.
O Brasil, que foi o país do futuro, é hoje o país do culto a um passado que não deu certo. Obviamente, o país também não deu certo.
Hoje, a moral, a inteligência, a honestidade, a decência, o caráter, a honra, os maiores valores foram subjugados pela ignorância, pela truculência, pelo coletivismo.
Triste país de belas praias e gente nefasta.

domingo, 9 de março de 2008

"Cartas à Mãe - Direto do Inferno", de Ingrid, Mélanie e Lorenzo Betancourt

"Cartas à Mãe - Direto do Inferno" reúne duas cartas de personagens diretamente envolvidos no conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A primeira é escrita por Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia e prisioneira do grupo armado desde fevereiro de 2002, dirigida à sua mãe Yolanda Pulecio. A carta, entregue às autoridades do país por guerrilheiros capturados em 2007, foi uma das únicas provas de vida da refém. Em 12 páginas escritas à mão, Betancourt descreve as dificuldades vividas na selva colombiana e declara e se comunica com sua família em um relato emotivo.
A segunda carta é escrita por Mélanie e Lorenzo, filhos de Betancourt, que fazem um apelo pela libertação de sua mãe.
Capa do livro que traz relato de Ingrid Betancourt, refém das Farc desde 2002 PDF DAS PRIMEIRAS PÁGINAS REFÉNS LIBERTADAS EM JANEIRO PAZ ENTRE COLÔMBIA E EQUADOR "Cartas à Mãe" é publicado pela editora Agir, e tem prefácio do escritor franco-húngaro Elie Wiesel, vencedor do prêmio Nobel de literatura de 1952.
Leia a seguir as primeiras páginas da carta de Ingrid Betancourt dirigida à sua mãe, Yolanda Pulecio.
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O texto a seguir foi escrito em 24 de outubro de 2007 por Ingrid Betancourt, mantida como refém na selva colombiana pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) desde 23 de fevereiro de 2002. É dirigido à sua mãe, Yolanda Pulecio, bem como a seus filhos Mélanie e Lorenzo e à sua família. O Manuscrito, doze páginas de uma caligrafia uniforme e cerrada, acompanhado de um vídeo e de fotos (na capa), foi apreendido por ocasião da prisão de guerrilheiros em Bogotá. Uma cópia foi enviada pelo governo colombiano à família de Ingrid em dezembro de 2007.
Ingrid Betancourt, nascida em 1961, francesa e colombiana, foi deputada, depois senadora, na Colômbia, onde travou uma luta incessante e corajosa contra a corrupção e os narcotraficantes. Foi raptada pelas Farc quando era candidata à eleição presidencial. Antes de receber essa carta, sua família não tinha notícias nem provas de vida desde o verão de 2003.


Selva colombiana,Quarta-feira, 24 de outubro8h34
Uma manhã chuvosa, como a minha alma
Minha querida e adorava mamãe,

Todos os dias acordo agradecendo a Deus por ter você. Todos os dias abro os olhos às 4 horas e me preparo, a fim de estar bem desperta para escutar as mensagens em La Carrilera de las 5 (1). Ouvir sua voz, sentir seu amor, sua ternura, sua confiança, seu compromisso de não me deixar só, é esta a minha esperança cotidiana. Todos os dias peço a Deus para abençoá-la, protegê-la e me permitir um dia poder encontrá-la, tratá-la como uma rainha, junto de mim, porque não suporto a idéia de uma nova separação.
A selva é bastante fechada por aqui, os raios de sol penetram com dificuldade. Mas é um deserto de afeição, de solidariedade, de ternura, e esta é a razão pela qual sua voz é o cordão umbilical que me ata à vida. Sonho beijá-la tão forte que eu permaneça incrustada em você. Sonho poder lhe dizer "Mamãe, mamita, nunca mais você vai chorar por mim, nem nessa vida nem na outra". Pedia a Deus para que ele um dia me permita lhe provar tudo que você significa para mim, poder protegê-la e não deixá-la sozinha um segundo. Em meus projetos de vida, se um dia eu recuperar a Liberdade, quero, mamita, que você pense em morar conosco, ou comigo. Chega de mensagens, chega de telefone, chega de distância, não quero que um único metro nos separe, porque sei que todos podem viver sem mim, menos você. Alimento-me todos os dias da esperança de estarmos juntas, e veremos como Deus nos mostrará o caminho, como nos organizaremos, mas a primeira coisa que quero lhe dizer é que, sem você, eu não teria agüentado até aqui.
Todos os dias você me pergunta como é a minha vida. Sei que Pinchao (2) lhe forneceu muitos detalhes, e o abençôo e lhe agradeço por ter contado tudo a você. Sinto uma grande admiração por Pinchao. O que ele conseguiu é heróico. Um dia, se Deus quiser, vou apertá-lo bem forte nos braços, o que não pude fazer quando ele fugiu do acampamento. Ajude-o como puder. Sobretudo se ele precisar pedir asilo. Diga-lhe que o amo e que rezei a Deus para que ele sobrevivesse à sua façanha. Bom, depois que Pinchao fugiu, nossas condições se deterioraram ainda mais. As regras tornaram-se draconianas, e isso é terrível para mim. Fui separada daqueles com quem me entendia melhor, com quem tinha afinidades e por quem sentia afeição, e colocada num grupo muito difícil, do ponto de vista humano.
Mamita, estou cansada, cansada de sofrer. Fui, ou tentei ser, forte. Esses seis anos ou quase de cativeiro demonstraram que não sou nem tão resistente, nem tão corajosa, inteligente e forte quanto pensava. Travei muitas batalhas, tentei a fuga diversas vezes, procurei manter a esperança como mantemos a cabeça fora d'água. Mas hoje, mamita, sinto-me vencida. Eu gostaria de pensar que um dia sairei daqui, mas percebo que o que aconteceu com os deputados (3), e que me deixou arrasada, pode acontecer comigo a qualquer momento. Acho que seria um alívio para todo mundo. Sinto que meus filhos levam uma vida em suspenso na expectativa da minha libertação, e o seu sofrimento diário, o de todo mundo, faz com que a morte me pareça uma opção amena. Juntar-me a papai (4), por quem permaneço de luto: todos os dias, há quatro anos, choro a morte dele. Continuo a acreditar que vou acabar parando de chorar, que agora cicatrizou. Mas a dor volta e se lança sobre mim como um cão desleal, e torno a sentir meu coração se espatifar em mil pedaços. Estou cansada de sofrer, de carregar essa dor comigo todos os dias, de mentir para mim mesma achando que tudo vai terminar e constatar que cada dia equivale ao inferno do dia anterior. Penso nos meus filhos, nos meus três filhos, em Sébastien (5), em Mela e em Loli (6). Muita vida se esvaiu por entre nós, como se a terra firme houvesse sido tragada pela distância. Eles são os mesmos e não são mais os mesmos. Cada segundo da minha ausência, em que não posso estar aí dedicada a eles, para tratar suas feridas, aconselhá-los, dar-lhes força, paciência e humildade para enfrentar a vida, todas essas oportunidades perdidas de ser mãe envenenam meus momentos de infinita solidão, é como se me injetassem cianureto nas veias, gota a gota.
Mamita, este é um momento muito duro para mim. De repente eles exigem provas de vida, e eu lhe escrevo com a alma esparramada sobre este papel. Vou mal fisicamente. Parei de comer, perdi o apetite, meus cabelos caem copiosamente. Não tenho vontade de nada. Acho que a única coisa boa é isto: não ter vontade de nada. Pois aqui, nesta selva, a única resposta para tudo é "Não". O melhor então é não querer nada, para pelo menos ficar livre de desejos. Faz três anos que peço um dicionário enciclopédico para ler alguma coisa, aprender alguma coisa, manter viva a curiosidade intelectual. Continuo a ter esperanças de que, pelo menos por compaixão, eles me arranjem um, mas é melhor não penar nisso. Aqui, tudo é um milagre. Ouvir sua voz de manhã é um milagre, pois meu rádio está muito velho e danificado. Continue a tentar transmitir, como vem fazendo, no início do porgrama, pois em seguida há muita interferência e, a partir das 5h20, só consigo presumir o que me diz. E quando houver uma notícia importante (como o casamento de Astrid), repita-a ao longo das mensagens. Eu só soube do casamento de Astrid e Daniel há dois anos, no Natal. Você certamente o mencionara para mim, porém eu não tinha ouvido!!!
A propósito de rádio, gostaria de lhe pedir, mamita querida, para dizer às crianças que eu gostaria que me enviassem três mensagens semanais, às segundas, quartas e sextas. Diga para elas enviarem duas linhas para o seu e-mail, e você as lerá para mim. Nada de transcendente, só o que lhes vier à cabeça ou o que tiverem vontade de rabiscar, tipo "Mamãe, hoje está um dia lindo, vou almoçar com Maria, amo-a demais, tenho certeza de que vai gostar dela" ou "Estou esgotada, mas hoje aprendi um monte de coisas numa aula que eu adoro, sobre as novas técnicas de cinema". Não preciso de mais nada, apenas estar em contato com eles. Todos os dias espero com impaciência que você fale deles ou me diga se falou com eles. É o que me dá mais alegria, a única coisa que me interessa realmente, a única informação vital, transcendente, indispensável, o resto não me interesa mais. Eu gostaria que Sébastien me escrevesse também. Quero saber como ele está no trabalho, em sua vida afetiva etc. etc Concordo 100% que você não mande mais recado de madrugada, aos domingos (7). Sofro muito com a idéia de que você passa a noite em claro, espera horas, se cansa... Continuo a escutar o programa por solidariedade com os demais, mas ficarei mais tranquila sabendo-a bem quentinha em sua cama.
Bom, como eu lhe dizia, a vida aqui não é a vida, é um desperdício lúgubre do tempo. Vivo ou sobrevivo numa rede esticada entre duas estacas, coberta com um mosquiteiro e uma lona que serve de teto e me permite pensar que tenho uma casa. Tenho um armariozinho onde ponho minhas coisas, isto é, a mochila com as roupas e a Bíblia, que é meu único luxo. Tudo está sempre pronto para partirmos às pressas. Aqui nada é seu, nada dura, a incerteza e a precariedade são a única constante. A qualquer momento eles podem dar ordens para arrumarmos nossas coisas, e todos são obrigados a dormir no fundo de um buraco qualquer, deitados em qualquer lugar, como animais. Esses momentos são particularmente difíceis para mim. Minha mãos ficam úmidas, meu espírito se anuvia, acabo demorando o dobro do tempo para fazer as coisas. As caminhadas são um calvário, pois minha bagagem é muito pesada e mal consigo carregá-la. Às vezes os guerrilheiros pegam alguma coisa para me aliviar do peso, mas deixam "os penicos" comigo, isto é, o que é necessário à nossa toalete e pesa mais. Tudo é estressante, perco minhas coisas ou eles as confiscam, como o jeans que Mela me deu de Natal, que eu usava quando eles me raptaram. Nunca mais o vi. A única coisa que consegui salvar foi o casaco, e isso foi uma bênção, pois as noites são glaciais e eu não tinha mais nada para me proteger do frio. Antes, adorava tomar banho de rio. Como sou a única mulher do grupo, tenho que ir quase toda vestida: short, blusa, botas! Como nossas queridas avós de outros tempos. Antes eu gostava de nadar no rio, mas agora não tenho sequer fôlego para isso. Estou fraca, friorenta, pareço um gato diante da água. Eu, que gostava tanto da água, não me reconheço mais. Costumava fazer duas horas de exercício durante o dia, às vezes três. Tinha inventado um aparelho para mim, uma espécie de banquinho feito com galhos, que apelidei de step, pensando nos exercícios da academia: a idéia era subir e descer, como se fosse um degrau. Ele tinha a vantagem de ocupar pouco espaço. Porque, às vezes, os acampamentos são tão pequenos que os prisioneiros ficam praticamente uns em cima dos outros. Porém, depois que eles separaram os grupos, não tenho vontade nem energia para fazer o que quer que seja. Faço um pouco de alongamento, pois o estresse me deixa com o pescoço duro, e isso me incomoda muito. Com os exercícios de alongamento, o split e o resto, consigo relaxar um pouco o pescoço. Eis toda a minha atividade, mamita. Ajo de maneira a ficar em silêncio, falo o menos possível, para evitar problemas. A presença de uma mulher em meio a homens que são prisioneiros há oito ou dez anos é um problema. Escuto a RFI (8) e a BBC, escrevo muito pouco porque os cadernos se acumulam e carregá-los é uma verdadeira tortura: tive que queimar pelo menos quatro. Além disso, durante as inspeções, eles nos confiscam o que mais prezamos. Tiraram de mim uma carta sua que chegara às minhas mãos depois da última prova de vida, em 2003. Os desenhos de Anastasia e Stanis (9), as fotos de Mela e Loli, o escapulário de papai, um programa de governo de 190 pontos que eu anotara ao longo dos anos, me arrancaram tudo. A cada dia, resta um pouco menos de mim mesma. Pinchao lhe contou os outros detalhes. Tudo é difícil. Esta é a realidade.
É importante que eu dedique estas linhas àqueles que são meu oxigênio, minha vida. Àqueles que me mantêm com a cabeça fora d'água, que não me deixam cair no esquecimento, no nada e no desespero. São vocês, meus filhos, Astrica (10) e seus filhinhos, Fab (11), Tia Nancy e Juanqui (12). Aos meus três filhos, Sébastien, Mela e Lili, dê-lhes acima de tudo minha bênção, que ela os acompanhe a cada passo. Todos os dias entrego-me a Deus, Jesus e a Virgem. Recomendo meus filhos a Deus a fim de que a fé os acompanhe sempre e eles nunca se afastem Dele. Diga-lhes que sempre foram uma fonte de alegria durante esse cativeiro tão duro. Aqui, tudo tem duas faces, a alegria mistura-se à dor, a felicidade é triste, o amor tranqüiliza e abre novas feridas; recordar e viver e morrer de novo.
Durante anos não consegui pensar nas crianças, pois a dor com a morte de papai absorvia toda minha capacidade de resistência. Quando pensava nelas, tinha a impressão de sufocar, não conseguia mais respirar. Então eu dizia a mim mesma: "Fab está lá, cuidando de tudo, não posso pensar, não posso pensar." Com a morte de papai, quase enlouqueci. Preciso falar com Astrica para fazer o luto. Nunca soube como isso aconteceu, quem estava lá, se ele me deixou uma mensagem, uma carta, sua bênção. Mas o que, ao longo do tempo, aliviou meu tormento foi pensar que ele partiu confiante em Deus e que um dia irei apertá-lo novamente nos braços. Tenho certeza disso. Mamita, senti-la forte naquele momento foi a minha força. Só ouvi as mensagens quando eles me puseram no grupo de "Lucho" Eladio Pérez (13), em 22 de agosto de 2003, data do aniversário da filha dele, Carope. Fomos grandes amigos, eles nos separaram em agosto. Porém, durante todo o tempo que passamos juntos, ele foi o meu amparo, meu protetor, meu irmão. Diga a Angela, Sergio, Laura, Marianita e Carope que eu os carrego no coração, como se fossem da minha família. A partir dessa data, passei a escutar as mensagens que você me dirige com incrível tenacidade, você nunca me faltou. Deus a abençoe. Eu lhe dizia que, durante anos, não consegui penar nas crianças porque sofria terrivelmente por não poder estar com elas. Hoje posso ouvi-las e sentir mais alegria que sofrimento. Procuro-as nas minhas lembranças e me alimento com imagens que guardei na memória, em cada uma de suas idades. A cada aniversário, canto Happy Birthday para elas e peço permissão para fazer um bolo. Antes, eles se mostravam compreensivos e eu podia fazer alguma coisa. Porém, de três anos para cá, quando reitero meu pedido, a resposta é "Não". Eu não ligo. Se eles chegam com um pão seco ou a rotineira ração de arroz e feijão, imagino que é um bolo e festejo seu aniversário no meu coração. Quero que vocês saibam que 8 de abril, 6 de setembro, e 1º de outubro são sagrados para mim. Também celebro o 31 de dezembro, o 18 de julho, o 9 de agosto, o 1° de setembro, e também o 24 de junho e o 31 de outubro, datas dos aniversários de Tia Nancy e de Pacho. Espero não ter me enganado.
À minha Mela, meu sol de primavera, minha princesa da constelação de Cisne, a ela que amo tanto, quero dizer que sou a mãe mais orgulhosa do mundo. Tive muita sorte por Deus me dar esses filhos, e minha Mela é o grande prêmio da minha vida. Quando ela tinha cinco anos, já me desafiava com inteligência e afeição, e desde essa época sinto uma admiração sem limites por ela. Ela é muito sensata e inteligente. E, se eu tivesse que morrer hoje, partiria feliz da vida, agradecendo a Deus pelos meus filhos. Estou contente com seu mestrado em Nova York. É exatamente o que eu lhe teria aconselhado. O cinema é a paixão dela, e concordo 100% com ela. Mas, atenção, é muito importante ela fazer um DOUTORADO. No mundo de hoje, um diploma é necessário até mesmo para respirar. Fazer um doutorado é ter outras aspirações, entrar num outro mundo, mais exigente, mais disciplinado, é conviver com os melhores dentre os melhores. Nunca me cansarei de insistir junto a Lili e Mela para que não abandonem os estudos antes de conseguirem seu Ph.D. Eu gostaria que Mela me prometesse isso, que me prometesse procurar na internet, a partir deste instante, ainda que isso lhe pareça remoto, e consultar os sites de Harvard, Stanford, Yale etc. para ver os doutorados que eles oferecem. No curso que ela quiser, no que a interessar mais, história, filosofia, arqueologia, teologia, que ela procure, sonhe e se entusiasme, e faça disso sua missão pessoal. Sei que ela quer trabalhar; todo mundo fica motivado pela vontade de se lançar ao trabalho, começar a produzir alguma coisa, querer saber quem somos na realidade, e isso deve fazer parte de seus projetos de vida. Quanto mais fortes somos, mais conseguimos alcançar nossos objetivos, mais as oportunidades se apresentam, maior é o mundo a que aspiramos. Minha Mela, você sabe muito bem que tudo isso é vital. Achei formidável você fazer filosofia em vez de ciência política. Achei formidável você ter entrado no italiano e no russo, e, se me derem a oportunidade, se a vida me permitir, tentarei alcançá-la. Sou sua fã nº 1, faltam-me palavras para lhe dizer como valorizo seu percurso, a lucidez de suas decisões, a maturidade com que você escolheu seu caminho e a maneira como o percorre. Sei que a escola de cinema em que você se matriculou é um must e tiro meu chapéu. Sempre lhe disse que você era a melhor, que é muito melhor que eu, que você é o que eu queria ter sido, mas melhor. Eis por quê, fortalecida pela experiência que acumulei durante a vida e com a perspectiva que, visto a distância, o mundo proporciona, peço, meu amor, que se prepare para atingir o topo.

DOWNLOAD das primeiras páginas:
http://download.uol.com.br/cartas_a_mae.pdf


Em UOL, 09/03/08, 16:47hs
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/trechos/2008/03/07/ult5747u2.jhtm

sábado, 8 de março de 2008

O congestionamento dos coitados

Depois de 20 anos de assistencialismo, monopólio estatal, sem investimentos em infraestrutura rodoviária, portuária, aeroportuária, com um emaranhado intransponível de leis, transporte de massas sucateado, a cidade de São Paulo torna-se escura, esburacada e insegura.
Os prejuízos devidos aos atrasos, o custo de manutenção, a altíssima carga tributária, seguros, tudo isso tira empregos e encarece os serviços e produtos.

Curioso é que os problemas surgiram depois de medidas ineficazes e paliativas como corredores exclusivos para ônibus, motos, taxis, rodízio, entre outros.

E agora, com a saturação anunciada, os engenheiros sociais põe a culpa em quem?

Ora, é claro, nos sofridos assalariados pagadores de impostos que, à custa de muito esforço, economizam e conseguem comprar um carro.

Ressalte-se que carros velhos, caindo aos pedaços, com os pneus carecas, justamente os mais barulhentos, poluidores, os que mais consomem combustível, os que mais quebram ou causam acidentes, esse carros são isentos de IPVA!

Ou seja, o governo incentiva o uso de veículos em péssimas condições em nome de um paternalismo politicamente correto. E os que compram um carro moderno, seguro e pouco poluente pagam uma fortuna de imposto.

Quer melhorar? Simples. Basta renovar a frota, haver fiscalização, punição, investimento em transporte de massas, iluminação, pavimentação, limpeza urbana, educação.

E acabar de vez com esse coitadismo. Não pode ter um carro decente? Azar, economiza. Talvez com uma carga tributária mais aceitável, uma máquina estatal menos inchada e com seriedade as pessoas conseguissem.